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MANIFESTO NACIONAL PELO RESGATE DA CATEGORIA C

Pelo direito ao trabalho do jovem motorista e pelo fim do apagão logístico artificial

O Brasil vive uma crise silenciosa em suas estradas. O apagão logístico não é apenas reflexo da falta de interesse pela profissão, mas sim o resultado de um ciclo destrutivo de desinformação que eliminou a base de formação dos nossos caminhoneiros.

Historicamente, o caminho natural e legal do profissional do volante sempre foi a Categoria C. O Código de Trânsito Brasileiro assegura o direito de qualquer cidadão migrar para a Categoria C após apenas um ano de CNH B, habilitando-o legalmente para conduzir veículos de carga rígidos acima de 3,5 toneladas (toco, truck e bitruck).

Contudo, uma barreira comercial e burocrática invisível passou a exigir a CNH Categoria D (exclusiva para transporte de passageiros) para vagas de carga rígida.

O Efeito Dominó nas Autoescolas

Essa distorção mercadológica gerou um dano estrutural grave: com a queda artificial na busca pela Categoria C, as autoescolas de todo o país pararam de investir em caminhões de instrução. Financeiramente, tornou-se mais vantajoso manter apenas um ônibus na frota para atender à CNH D.

Hoje, o jovem que deseja exercer o seu direito legal aos 19 anos esbarra em um cenário desolador: não há veículos de carga disponíveis para ele aprender a dirigir nas autoescolas. Ele é violentamente forçado a esperar até os 21 anos para tirar a CNH D em um ônibus — apenas para poder guiar o caminhão que a lei já o permitia conduzir dois anos antes.

Nesse hiato de dois anos, a logística perde o jovem. Ele migra para o motofrete, para os aplicativos de passageiros ou para o comércio varejista. A profissão de caminhoneiro envelhece porque o próprio sistema cortou os degraus da evolução profissional.

O que nós exigimos:

  1. Conscientização do Setor de Seguros e RHs: Que as gerenciadoras de risco e transportadoras reconheçam a Categoria C como técnica e legalmente suficiente para veículos rígidos.
  2. Incentivo à Formação de Base: Políticas públicas e subsídios para que os Centros de Formação de Condutores (CFCs) voltem a adquirir caminhões.
  3. Resgate Histórico da Profissão: O retorno de programas de incentivo governamentais e setoriais (como o SEST SENAT) focados no jovem recém-habilitado na Categoria C.
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